Mixed Media

Desenho desde sempre – quase como quem respira. Durante muitos anos, porém, não acreditava que aquilo que fazia pudesse tocar outras pessoas. Muito menos imaginava que um dia teria coragem de me chamar artista.

Quando era criança, sonhava ser estilista. Mais tarde, na adolescência, apaixonei-me pelos animais e quis ser bióloga. Acabei por seguir Ciências, mas havia uma coisa curiosa: era junto dos meus colegas de Artes que me sentia verdadeiramente em casa, mesmo sem perceber muito bem porquê.

O caminho acabou por levar-me à Psicologia. Queria compreender as pessoas e, de alguma forma, ajudá-las. Ao mesmo tempo, fui vivendo na primeira pessoa os desafios de lidar com a minha própria saúde mental.

Foram experiências intensas, com momentos muito difíceis, de vazio e de autodestruição, mas também me trouxeram uma sensibilidade muito particular para as emoções, para as pessoas e para tudo aquilo que nem sempre conseguimos dizer por palavras.

Foi através da arte que comecei a encontrar um espaço onde podia expressar tudo isso. Desenhar, pintar e criar tornaram-se formas de me conhecer melhor, de transformar aquilo que sentia e de dar um novo significado a algumas das experiências mais difíceis da minha vida.

Um momento particularmente importante aconteceu quando descobri o livro O Caminho do Artista, de Julia Cameron, que me foi apresentado pela Susana Albuquerque. Foi como abrir uma porta para um mundo que já existia dentro de mim, mas que durante muito tempo tinha ficado escondido.

Ilustrei para a revista Pais & Filhos e participei em projectos ligados à promoção da saúde e da literacia. Continuei também a aprender e a experimentar, fazendo formação em ilustração, narração e locução.

O meu caminho artístico nunca foi completamente linear. Houve avanços, pausas, dúvidas e momentos em que voltei a perguntar-me se teria mesmo coragem para assumir este caminho.

Depois de atravessar um período pessoal particularmente desafiante, em 2024 decidi finalmente dar-me essa oportunidade: permitir-me ser artista a tempo inteiro.

Foi também nessa altura que entrei na Mentoria Premium Internacional da artista e curadora Angela Barbour. Esse passo ajudou-me a olhar para o meu trabalho de outra forma e, sobretudo, a assumir uma coisa que durante tantos anos me custou dizer em voz alta:

sou artista…

Hoje, vivo e trabalho em Lisboa e procuro juntar no meu trabalho tudo aquilo que faz parte de mim: a psicologia, a arte, a imaginação, as histórias e a vontade de continuar a aprender.

Crio sobretudo a partir da emoção, da intuição e da liberdade de experimentar. A cor, as texturas, as personagens e os mundos que invento são formas de dar expressão àquilo que, muitas vezes, não consigo explicar de outra maneira.

Ainda estou a descobrir o que significa ser artista para mim. E, sinceramente, acho que essa descoberta faz parte da própria viagem.

Trabalhos por comissão

Podes encomendar-me qualquer tipo de trabalho: pintura, ilustração para livros ou artigos, ou pintura de murais, decoração de paredes e quartos ou peças de mobiliário, ou noutros suportes. 

Gosto da ideia de criar coisas que nascem de uma conversa, de uma ideia ou até de um sonho que alguém traz até mim.

Por isso, faço trabalhos por comissão, e aqui vale quase tudo o que possa ser transformado em cor, imagem e criatividade. Pode ser uma pintura, uma ilustração para um livro, uma imagem para acompanhar um artigo ou uma história, um mural, uma parede inteira, a decoração de um quarto, uma peça de mobiliário ou qualquer outro suporte que tenha vontade de ganhar uma nova vida.

Às vezes a pessoa sabe exatamente o que quer. Outras vezes tem apenas uma ideia meio solta – “gostava de qualquer coisa assim… com estas cores… talvez uma árvore, uns animais, umas flores…” – e é precisamente daí que gosto de começar.

Conversamos, trocamos ideias, vejo o espaço ou o suporte, percebo o que a pessoa imagina e, a partir daí, começo a desenhar e a construir a proposta. Gosto de que cada trabalho tenha qualquer coisa de quem o encomendou, mas que também tenha um bocadinho da minha maneira de ver e de criar.

Posso trabalhar a partir de uma história, de uma fotografia, de uma memória, de um desenho de uma criança, de uma personagem, de uma frase ou simplesmente de uma sensação. Não há uma fórmula única. Cada projeto pode encontrar a sua própria forma.

Uma parede pode transformar-se numa floresta, num céu cheio de histórias ou num pequeno universo inventado. Um quarto pode ganhar personagens e lugares onde imaginar. Um móvel antigo pode transformar-se numa peça completamente diferente. Um livro pode ganhar imagens que ajudam as palavras a respirar. E um objeto simples pode tornar-se único quando recebe cor e alguma imaginação.

Também gosto particularmente daqueles trabalhos em que existe uma história por detrás: uma peça que é oferecida a alguém, um quarto preparado para uma criança, uma ilustração que acompanha uma história especial ou um mural pensado para uma escola, uma associação ou uma comunidade.

Gosto que cada encomenda seja mais do que “fazer uma pintura”. Gosto que seja um pequeno processo de criação partilhada, em que uma ideia vai crescendo até se transformar em qualquer coisa que passa a existir de verdade.

Pode ser numa parede, num móvel, num livro, numa tela, numa cadeira, numa porta, num objeto ou num suporte completamente inesperado.

Série Linhagem

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