Técnica mista
Comecei por pintar com acrílicos, mas depressa percebi que gostava demasiado de experimentar para ficar por uma só técnica. Fui juntando vernizes, canetas, lápis de cor, pastéis de óleo e secos, aguarela e outros materiais, descobrindo novas possibilidades a cada experiência.
Gosto de misturar aquilo que, à partida, parece não pertencer ao mesmo lugar. Camadas, transparências, riscos, manchas e texturas vão-se encontrando e criando uma linguagem própria. Muitas vezes, começo com uma ideia e termino num lugar completamente diferente – e é precisamente essa surpresa que me interessa.
Para mim, a técnica mista é um espaço de liberdade, onde posso experimentar sem saber exactamente o resultado e deixar que os próprios materiais também tenham uma palavra a dizer.
Colagem
A colagem surgiu da vontade de dar mais corpo e textura às minhas imagens. Comecei a juntar papéis, revistas, tecidos, rendas e pequenos objectos, descobrindo que cada material traz consigo uma textura, uma história e uma memória.
Gosto de rasgar, recortar, sobrepor e combinar materiais diferentes, deixando que se encontrem com a pintura e o desenho. Às vezes, um pedaço de tecido transforma-se numa roupa, um papel torna-se uma paisagem, uma renda ganha a forma de uma flor e um pequeno objecto passa a fazer parte de uma personagem.
Gosto dessa magia de transformar coisas simples em qualquer coisa inesperada.
A colagem permite-me brincar, experimentar e construir as minhas imagens quase como quem constrói pequenos mundos – camada sobre camada, pedaço sobre pedaço, até que tudo encontre o seu lugar.
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