A herança





Há uma linha invisível que atravessa o tempo e vive no corpo das mulheres — uma herança que não passa apenas pelos genes, mas também pelos gestos, pelos silêncios, pelos medos, pela força e pelas histórias que recebemos sem saber.
Linhagem
Linhagem – As que me antecederam nasce da pergunta: quem são as mulheres que me fizeram? Através de figuras sagradas de diferentes culturas e tradições — de Iemanjá a Pachamama, de Nossa Senhora a Lilith, de Inanna a Brigid – encontro rostos e histórias que se cruzam com a minha própria memória. Cada figura guarda, no seu manto feito de fotografias, tecidos, objectos e palavras, uma parte dessa herança colectiva e íntima.
No fim, surgem duas mulheres: a minha ancestral, aquela que pertence à minha linhagem directa, e eu, como elo presente de uma cadeia que continua. Pintá-las foi uma forma de olhar para trás, reconhecer quem veio antes de mim e, através delas, lembrar quem sou.



Há uma memória antiga que percorre o corpo das mulheres como um rio invisível, transmitida não apenas pelo sangue, mas também pelos gestos, pelos silêncios e pela forma íntima como cada uma se relaciona com o mistério da vida. Linhagem — As que me antecederam nasce do desejo de olhar para essas mulheres e para tudo aquilo que, através delas, chegou até mim. Iemanjá, Pachamama, Guadalupe, Lilith, Inanna e Brigid encontram-se aqui com a memória da minha própria família, entrelaçando o universal e o íntimo, o mito e a história pessoal. Vestidas de mantos feitos de fotografias, tecidos e pequenos fragmentos de vida, tornam-se guardiãs de uma memória que atravessa gerações. No fim, ficam duas figuras: a mulher da minha linhagem directa e eu, como parte dessa história que continua. Pintá-las foi uma forma de olhar para trás, reconhecer quem veio antes de mim e, através delas, descobrir um pouco mais sobre quem sou.

